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A Garota Dinamarquesa

16:26 Jéssica Figueiredo 0 Comments

Bom, hoje foi um dia de primeiras vezes para mim. Estava querendo ver este filme desde que vi o trailer, e, como acontecia em muitos outros, eu simplesmente não ia ver o filme por não estar acompanhada. Ir assistir um filme sozinha? Isso é tão deprimente... Acontece que esta é a minha última semana de férias e pouco importava se eu iria assistir o filme sozinha ou não. Peguei o ônibus e cheguei praticamente na hora da sessão. E não foi nada deprimente. Foi bem legal até :D
Acredito que o ano de 2016 me reservará agradáveis surpresas e este filme não foi nenhuma surpresa,  pois eu sabia que ele iria ser incrível. Primeiro, por conta do ator, Eddie Redmayne, e, segundo, por conta de toda a história envolvida. Eu sempre gostei muito de dramas, que me fizessem chorar, ou então, que me fizessem refletir sobre algo na vida. Este filme teve as duas coisas. Como eu havia dito, hoje foi um dia de primeiras vezes. Foi a primeira vez que eu vi um filme tratando sobre um transgênero. 
O filme é uma cinebiografia de Lili Elbe (Eddie Redmaybe) que nasceu como Einar Wegener, um pintor com uma carreira em acensão, e sua mulher, Gerda Wegner (Alicia Vikander - Ganhadora do Oscar de Melhor atriz coadjuvante por este papel), que também era uma pintora. O filme foca no casal, e como eles se amam e parecem se completar. Só que em um determinado momento Gerda pede ajuda a Einar em uma pintura - ela pede que ele vista uma meia-calça e calce um sapato de mulher e pose para ele. É a partir daí que percebemos o desejo suprimido de Einar. Ele fica completamente extasiado com a sensação de ter aquelas peças femininas tocando o seu corpo. Ele naquele momento era Lili.
Gerda então pede que ele o acompanhe em uma festa vestido de mulher. Os dois tramam a "brincadeira" que iriam fazer. Brincadeira para Gerda, porém, Einar, estava levando tudo muito a sério. Gerda o ensinava como se portar, andar de salto, falar. E assim, os dois foram para a festa. É lá que tudo começa a se desenrolar de vez, pois finalmente Lili consegue sair do íntimo suprimido de Einar, e ganha vida.
A Garota Dinamarquesa foi um filme que me vi chorando não por conta de uma cena bonita, ou trágica, ou feitas propositalmente para chorarmos, não. Me vi chorando por conseguir sentir a dor de Lili através da tela do cinema. Eddie Redmayne estava completamente brilhante neste papel. Ele conseguiu interpretar Einar Wegener, porém, ele conseguiu ser Lili Elbe. Ele era ela em sua alegria, tristeza, dor, confusão e sofrimento por ter nascido no corpo errado. Duas cenas são visíveis a aversão aquele corpo que ele possuía, se não quiserem ler pulem a parte azul. A primeira foi quando ele se olhou na frente do espelho e escondeu as suas genitálias, tornando-se por ora uma mulher. É possível notar a sua satisfação em se olhar no espelho depois deste ato. E a segunda é quando ele vai para um local onde uma mulher fica se tocando - um local para voyeurs - e o que ocorre é que ele começa a imitar a mulher. A sutileza de sua mão, do rosto, do modo de seduzir. Até que a mulher do outro lado leva a mão até a sua genitália, e quando Lili a imita, ele rapidamente se reprime envergonhado e chora.
Antigamente as pessoas não compreendiam pessoas como Lili. Eles eram taxados de loucos, psicóticos, esquizofrênicos. E acho que eles realmente deveriam endoidar por não conseguirem ser compreendidos. É uma situação muito complicada e delicada.
Várias vezes fiquei olhando o filme do ponto de vista de Lili e do ponto de vista de Gerda. Para Gerda era algo completamente complicado entender que o seu marido estava se dizendo ser outra pessoa, uma mulher, e que ele não estava com o seu corpo correto. Era complicado entrar em casa e ver o seu marido vestindo roupas femininas, agindo como mulher. Mesmo sofrendo por dentro Gerda compreende a dor de Lili e a ajuda a tentar passar por esta fase, mesmo fraquejando em alguns momentos. Alicia Vikander estava magnífica em seu papel e o Oscar foi mais do que merecido.
Mas qual o motivo da história de Lili Elbe ser tão importante? Oras, ela foi a primeira pessoa a ser submetida a mudança de gênero. Algo que ela teve que ter muita coragem para enfrentar. Só sei que tive que me controlar na sala de cinema para não incomodar ninguém com o meu choro, pois a sala estava bem silenciosa. Então, se você quer ir para o cinema para ver um filme com excelente enredo, fotografia, figurinos e, principalmente, excelentes atuações, este filme é mais do que indicado. É um filme forte, corajoso e verdadeiro. Como Lili.




Olha só que legal!

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